Chapecó conquista a ISO 37120 Ouro: o que essa certificação representa para a gestão pública baseada em dados

A cidade de Chapecó (SC) é a primeira no estado de Santa Catarina a conquistar a certificação ABNT NBR ISO 37120 de Cidades Sustentáveis no nível Ouro. Essa conquista destaca-se pelo pioneirismo do município e pelo que representa para a gestão pública orientada por dados.

A certificação acompanha o monitoramento de indicadores de serviços urbanos e qualidade de vida por meio de uma metodologia padronizada com auditoria independente da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Em Chapecó, o processo envolveu mais de 90 indicadores distribuídos em 19 áreas da administração municipal, contando com a assessoria técnica da plataforma Bright Cities.

Mais do que um reconhecimento, o selo evidencia um ponto central para os municípios: não basta ter dados; é fundamental que eles sejam estruturados, comparáveis, auditáveis e capazes de orientar a tomada de decisão.

O que é a norma ABNT NBR ISO 37120?

A ISO 37120 faz parte de uma família de normas internacionais desenvolvidas para apoiar o desenvolvimento sustentável de cidades e comunidades. Sua primeira edição, publicada em 2014, tornou-se a primeira norma internacional da ISO dedicada a indicadores para serviços urbanos e qualidade de vida. A norma define metodologias para medir o desempenho municipal, acompanhar a evolução dos serviços e fundamentar políticas públicas e planejamentos estratégicos.

Na prática, a norma estabelece uma linguagem comum para que municípios possam medir seu desempenho de maneira comparável e verificável, independentemente de seu tamanho ou localização.

Essa padronização também aproxima a discussão de um dos fundamentos das Smart Cities: utilizar informação qualificada para compreender a realidade urbana e melhorar a capacidade de decisão.

O que significa conquistar o nível Ouro?

A ABNT explica que o processo de certificação de indicadores para cidades é estruturado em quatro níveis — Bronze, Prata, Ouro e Platina —, definidos conforme o volume de indicadores certificados. O processo é evolutivo, permitindo que os municípios ampliem o conjunto de dados avaliados e avancem para níveis mais altos ao longo do tempo. A certificação atesta formalmente que os dados analisados cumprem os padrões internacionais de qualidade e rigor técnico.

Como indicadores auditados fortalecem a gestão pública

Quando indicadores municipais são estruturados e submetidos a processos de verificação, eles podem assumir uma função muito mais estratégica dentro da administração pública.

O primeiro impacto está no planejamento municipal.

Um planejamento consistente depende de uma compreensão clara da realidade que se pretende transformar. Indicadores padronizados permitem estabelecer uma linha de base, acompanhar resultados e identificar mudanças ao longo do tempo. A ISO destaca justamente o uso dos indicadores para medir desempenho, acompanhar progresso e apoiar planejamento e gestão.

Isso também contribui para a priorização de investimentos.

Em ambientes públicos marcados por restrições orçamentárias, decisões precisam considerar onde os recursos podem gerar maior impacto. Dados organizados e comparáveis ajudam a identificar lacunas, acompanhar a evolução dos serviços e orientar prioridades com maior base técnica.

Outro ponto é o monitoramento de políticas públicas.

Uma política não termina quando é implementada. É necessário acompanhar sua execução e seus efeitos. Indicadores criam condições para verificar se determinados objetivos estão sendo alcançados e identificar pontos que demandam ajustes.

A padronização também fortalece a transparência pública.

Quando informações relevantes sobre a cidade são organizadas segundo critérios claros e disponibilizadas para consulta, a população, pesquisadores, organizações e os próprios gestores passam a ter uma referência comum sobre o desempenho municipal.

Por fim, existe uma dimensão especialmente importante para a administração pública: a continuidade administrativa.

Dados estruturados não dependem exclusivamente da memória individual de uma equipe ou de um determinado ciclo de governo. Quando metodologias, indicadores, históricos e evidências ficam organizados institucionalmente, o conhecimento produzido pode permanecer disponível para orientar decisões futuras.

Essa é uma contribuição importante para municípios que desejam construir políticas públicas de longo prazo.

O caso de Chapecó

O processo contou com o suporte técnico da Bright Cities na estruturação e gestão dos indicadores, atuando em parceria com as equipes municipais ao longo de 8 meses até a conquista do selo.

https://www.brightcities.city/smart-city-profile/Brazil-Santa-Catarina-Chapeco/5d1cd6d6628a9e05c7f9af6a

Durante esse período de assessoria técnica para a obtenção da ISO, o trabalho envolveu a organização das informações, a definição de responsabilidades entre as secretarias, a integração de processos, a produção de evidências técnicas e a construção de uma rotina de acompanhamento contínuo até a auditoria final.

O que outros municípios podem aprender

A experiência de Chapecó demonstra que uma agenda de gestão baseada em dados exige método e continuidade.

Primeiro, indicadores precisam ser institucionalizados. Eles não devem existir apenas para atender uma demanda pontual, mas fazer parte da rotina de planejamento e monitoramento do município.

Segundo, a integração entre secretarias é fundamental. Saúde, educação, mobilidade, saneamento, segurança e meio ambiente produzem dados que, quando analisados de forma conectada, oferecem uma visão muito mais precisa da cidade.

Terceiro, é necessário diferenciar coleta de dados de gestão de dados. Coletar informações é apenas o começo. É preciso organizar, validar, interpretar, acompanhar e utilizar os indicadores para orientar decisões.

Quarto, a cultura de monitoramento deve ser contínua. Indicadores ganham valor quando permitem acompanhar tendências e resultados ao longo do tempo, em vez de serem utilizados apenas para produzir diagnósticos isolados.

Por fim, a experiência reforça que dados confiáveis são uma infraestrutura de gestão pública.

Eles embasam o planejamento municipal, fortalecem a governança, aumentam a transparência pública e preservam o conhecimento institucional.

Certificação como parte de uma agenda maior de gestão baseada em dados

A certificação ABNT NBR ISO 37120 nível Ouro obtida por Chapecó integra uma transformação mais ampla no modelo de monitoramento e gestão do município.

O principal valor de um conjunto de indicadores padronizados não está apenas no certificado recebido, mas na capacidade de estabelecer uma base comum para compreender a cidade, acompanhar resultados e sustentar decisões ao longo do tempo.

Para gestores públicos, técnicos municipais e organizações que atuam com inovação para governos, esse é um ponto central da agenda de cidades inteligentes: utilizar dados como instrumentos para qualificar a gestão e os serviços oferecidos à população.

É nessa perspectiva que a atuação da Bright Cities se destaca. Ao apoiar os municípios na estruturação, organização e gestão contínua de indicadores, a plataforma ajuda a construir bases de dados sólidas para fundamentar o monitoramento, o planejamento e a tomada de decisão.

Mais do que acompanhar números, uma cidade inteligente precisa ser capaz de entender seus próprios dados, transformar evidências em decisões e manter esse conhecimento como patrimônio institucional.

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