ODS 1 – Erradicação da Pobreza: O Que Está em Jogo para os Municípios Brasileiros em 2026 

Por que a gestão pública local é a chave para acelerar a Agenda 2030 — e como os dados urbanos podem fazer a diferença


A pobreza não é apenas uma questão de renda. É a ausência de oportunidades, a fragilidade diante de crises, a invisibilidade perante o Estado. Quando a ONU colocou a erradicação da pobreza como o primeiro dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), não foi por acaso: sem superar a pobreza em todas as suas formas, nenhum outro objetivo da Agenda 2030 pode ser plenamente alcançado.

Em 2026, com menos de quatro anos restantes para o prazo da Agenda 2030, a urgência se intensifica. Municípios brasileiros e de todo o mundo enfrentam o desafio de transformar compromissos globais em ações locais concretas — e a tecnologia, os dados urbanos e as cidades inteligentes surgem como aliados estratégicos nessa jornada.


O Que é o ODS 1 e Por Que Ele Continua Relevante em 2026

O ODS 1 – Erradicação da Pobreza estabelece como meta central “acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares” até 2030. Suas cinco metas principais incluem: erradicar a extrema pobreza (Meta 1.1), reduzir à metade a proporção de pessoas em situação de pobreza multidimensional (Meta 1.2), ampliar sistemas de proteção social (Meta 1.3), garantir acesso igualitário a recursos e serviços básicos (Meta 1.4) e construir resiliência frente a eventos climáticos e econômicos adversos (Meta 1.5).

O conceito de pobreza multidimensional é central para compreender o ODS 1. Vai muito além da insuficiência de renda: envolve privações em saúde, educação, saneamento, moradia digna, acesso à energia elétrica, à conectividade digital e à proteção social. Uma pessoa pode não ser “extremamente pobre” pelo critério monetário e ainda assim viver em profunda vulnerabilidade social.

O Cenário Global em 2025–2026

O Relatório da ONU sobre os ODS 2025 apresentou um diagnóstico preocupante: quase metade das metas da Agenda 2030 avança em ritmo insuficiente para ser cumprida até o prazo, enquanto 18% das metas registraram retrocesso. As áreas prioritárias apontadas pela ONU para ação transformadora incluem transformação digital, educação, empregos, proteção social e ação climática — todos diretamente ligados ao ODS 1.

A erradicação da pobreza extrema global avançou significativamente entre 1990 e 2015, mas perdeu velocidade. As crises sobrepostas da última década — pandemia de Covid-19, inflação global, conflitos armados e eventos climáticos extremos — aprofundaram desigualdades estruturais e ameaçaram reverter décadas de progresso nas populações mais vulneráveis.


Os Principais Desafios da Erradicação da Pobreza Atualmente

O Brasil em 2025: Avanços Reais, Desigualdades Persistentes

O Brasil registrou avanços concretos recentes. Segundo a Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, divulgada em dezembro de 2025, entre 2023 e 2024, 8,6 milhões de pessoas saíram da pobreza, reduzindo a proporção de pobres de 27,3% para 23,1% da população. A extrema pobreza também recuou: 1,9 milhão de pessoas deixaram essa condição, com o índice caindo de 4,4% para 3,5% — o menor nível registrado desde o início da série histórica.

Esses resultados expressivos refletem o papel determinante dos programas de transferência de renda: sem o Bolsa Família e outros benefícios sociais, a taxa de extrema pobreza teria saltado para cerca de 10% — quase o triplo do índice real.

Contudo, os dados também revelam desigualdades estruturais que persistem:

  • Raça: Pretos e pardos representam 56,8% da população, mas compõem 71,3% das pessoas pobres. A taxa de extrema pobreza entre pretos (3,9%) e pardos (4,5%) é o dobro da registrada entre brancos (2,2%).
  • Infância: Entre crianças e adolescentes de 0 a 14 anos, 39,7% vivem em situação de pobreza — proporção quase cinco vezes superior à observada entre pessoas com 60 anos ou mais (8,3%).
  • Gênero: Mulheres têm maior incidência de pobreza (24%) do que homens (22,2%).
  • Território: O Nordeste concentra as maiores taxas, com 39,4% da população em situação de pobreza em 2024 (queda de 7,8 pontos percentuais em relação ao ano anterior).
  • Desigualdade: O Índice de Gini brasileiro foi de 0,504 em 2024 — o menor da série histórica recente, mas ainda entre os mais elevados do mundo, à frente de países como Chile, México, Portugal, Espanha, Itália e França em desigualdade de rendimentos.

O Papel Estratégico dos Municípios

Os municípios são a linha de frente do combate à pobreza. É no nível local que as políticas de proteção social se materializam, que o acesso a serviços básicos é — ou não — garantido, e onde as vulnerabilidades se tornam mais visíveis. Porém, boa parte dos gestores públicos municipais ainda enfrenta desafios críticos: falta de dados territorializados atualizados, baixa capacidade técnica para análise de indicadores, dificuldade de priorizar investimentos e ausência de ferramentas adequadas para monitorar resultados.

A pobreza urbana exige atenção especial: segundo o Ipea, cerca de 20,6 milhões de famílias vivem em situação de extrema pobreza no Brasil, muitas concentradas em periferias e assentamentos informais de cidades de médio e grande porte. O mapeamento preciso dessas populações é pré-condição para qualquer política efetiva.


Como as Cidades Inteligentes Podem Contribuir para a Redução da Pobreza

As Smart Cities não são apenas cidades tecnologicamente avançadas. Na definição consolidada pela Carta Brasileira para Cidades Inteligentes, são aquelas que “atuam de forma planejada, inovadora, inclusiva e em rede, promovendo o letramento digital, a governança colaborativa e o uso ético, seguro e responsável de dados e tecnologias da informação.” O compromisso com a redução de desigualdades é parte constitutiva desse modelo.

Em 2025, o Brasil investiu mais de US$ 1,35 bilhão em soluções urbanas digitais, liderando os investimentos em cidades inteligentes na América Latina. O mercado brasileiro de smart cities, que movimentou cerca de US$ 17,2 milhões em 2024, projeta crescimento médio anual de 25,3% até 2030. Esse cenário cria uma janela de oportunidade única para que municípios usem a tecnologia a favor da inclusão social.

Inclusão Digital como Política de Redução da Pobreza

O acesso à internet e às ferramentas digitais deixou de ser conforto e se tornou condição de cidadania. Quem está fora do ambiente digital enfrenta barreiras adicionais para acessar benefícios sociais, serviços públicos, mercado de trabalho e educação. Municípios que investem em conectividade em áreas vulneráveis, telecentros, programas de letramento digital e governo eletrônico acessível estão, diretamente, reduzindo a pobreza em sua dimensão mais contemporânea: a exclusão digital.

Inteligência Territorial e Mapeamento de Vulnerabilidades

Uma das contribuições mais poderosas das cidades inteligentes ao combate à pobreza é a capacidade de mapear vulnerabilidades com precisão territorial. Ferramentas de geoprocessamento, integração com o Cadastro Único (CadÚnico) e análise de dados populacionais permitem que gestores identifiquem quais bairros, setores censitários ou comunidades concentram maior privação — e direcionem recursos com eficiência.

Cidades como Recife, que figura entre as 10 mais inteligentes do Brasil no Ranking Connected Smart Cities 2025, têm investido no cruzamento de dados socioeconômicos com informações urbanas para qualificar políticas de habitação, saúde e assistência social. Salvador lidera o eixo “População e Condições Sociais” do mesmo ranking, destacando-se na atualização do CadÚnico e na gestão de populações em risco.

Proteção Social Inteligente: Velocidade e Cobertura

A pandemia de Covid-19 demonstrou que sistemas digitais de proteção social ágeis salvam vidas e preservam renda. A experiência com o Auxílio Emergencial revelou tanto o potencial quanto as lacunas da infraestrutura de dados do país. Em 2026, municípios que integram seus sistemas locais ao CadÚnico, ao Bolsa Família e a outros programas federais e estaduais conseguem identificar famílias não atendidas, prevenir exclusões indevidas e garantir cobertura mais ampla.

Inovação Urbana a Serviço da Inclusão

Exemplos concretos mostram como a tecnologia pode transformar a vida dos mais vulneráveis:

  • Plataformas de intermediação de emprego que conectam pessoas em situação de vulnerabilidade a oportunidades de renda formal.
  • Sistemas de gestão de habitação social que priorizam famílias de acordo com critérios de vulnerabilidade territorializados.
  • Aplicativos de acesso a serviços públicos que reduzem barreiras burocráticas para populações de baixa renda — de agendamento de saúde à solicitação de benefícios.
  • Soluções de microcrédito digital integradas a políticas municipais de desenvolvimento econômico local.
  • Infraestrutura de dados abertos que permite à sociedade civil monitorar o avanço das políticas sociais em tempo real.

A Portaria MCID nº 1.012/2025, novo marco regulatório para a transformação digital nos municípios brasileiros, consolida diretrizes que alinham a gestão de cidades inteligentes às políticas nacionais de inovação, sustentabilidade e inclusão — reforçando que o uso da tecnologia deve ser orientado pela redução de desigualdades.


Indicadores Urbanos e Tomada de Decisão Baseada em Dados

Por Que Indicadores São Insubstituíveis

“Não se gerencia o que não se mede.” O princípio, clássico na gestão, tem peso redobrado na política pública. Sem indicadores confiáveis, atualizados e territorializados, gestores municipais navegam às cegas — alocando recursos sem saber se estão chegando a quem mais precisa, implementando programas sem capacidade de avaliar seu impacto.

O monitoramento por indicadores alinhados ao ODS 1 permite:

  • Diagnosticar a dimensão real da pobreza e da vulnerabilidade no território.
  • Priorizar investimentos com base em evidências, não em percepções.
  • Acompanhar o progresso das políticas ao longo do tempo.
  • Comunicar resultados para a sociedade, financiadores e parceiros.
  • Corrigir rotas quando os dados indicam que uma intervenção não está funcionando.

Indicadores-Chave para o ODS 1 no Âmbito Municipal

Alguns indicadores são especialmente relevantes para que municípios monitorem seu desempenho em relação ao ODS 1:

Indicadores de pobreza e renda:

  • Percentual da população vivendo abaixo da linha de pobreza e de extrema pobreza.
  • Proporção de famílias inscritas no CadÚnico em relação à estimativa de famílias elegíveis.
  • Percentual da população beneficiária de programas de transferência de renda.

Indicadores de pobreza multidimensional:

  • Proporção da população sem acesso a saneamento básico adequado.
  • Taxa de domicílios em assentamentos informais ou favelas.
  • Percentual de crianças e jovens fora da escola.
  • Proporção da população sem acesso à internet em domicílio.

Indicadores de proteção social e resiliência:

  • Cobertura de benefícios previdenciários e assistenciais.
  • Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e suas dimensões (longevidade, educação, renda).
  • Proporção de famílias em áreas de risco climático ou ambiental.

Indicadores de desigualdade:

  • Índice de Gini municipal.
  • Razão entre a renda dos 10% mais ricos e dos 40% mais pobres.

A leitura integrada desses indicadores permite construir um diagnóstico multidimensional da pobreza no território — essencial para políticas verdadeiramente efetivas.


Como a Bright Cities Apoia Municípios no Alcance dos ODS

A distância entre os compromissos da Agenda 2030 e a realidade da gestão pública cotidiana é, muitas vezes, uma questão de capacidade técnica e acesso a ferramentas adequadas. É nesse espaço que a Bright Cities atua.

A plataforma Bright Cities foi desenvolvida para ajudar municípios a diagnosticar seus desafios urbanos, monitorar indicadores alinhados aos ODS e identificar soluções para acelerar o alcance das metas da Agenda 2030. Sua metodologia combina coleta estruturada de dados, benchmarking entre cidades e um marketplace de soluções inteligentes voltadas à gestão pública.

Diagnóstico Urbano como Ponto de Partida

O ponto de partida de qualquer estratégia eficaz é conhecer profundamente a realidade do território. A plataforma Bright Cities realiza diagnósticos municipais abrangentes, utilizando indicadores organizados em diferentes eixos — meio ambiente, governança, tecnologia, educação, saúde, infraestrutura e desenvolvimento social — todos alinhados com os ODS da ONU.

No âmbito do ODS 1, indicadores como a proporção da população em situação de pobreza, a taxa de pessoas vivendo em assentamentos informais e o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal fornecem ao gestor público uma visão clara de onde o município está e o quanto precisa avançar para cumprir as metas da Agenda 2030.

Monitoramento Contínuo e Benchmarking

Um diagnóstico pontual tem valor limitado. O que transforma dados em gestão é o monitoramento contínuo: acompanhar a evolução dos indicadores ao longo do tempo, identificar tendências, comparar o desempenho municipal com cidades de perfil semelhante e detectar rapidamente quando algo está fora do curso.

O Ranking Bright Cities de Cidades Sustentáveis, em sua edição 2026, reúne dados de centenas de municípios brasileiros, permitindo que prefeitos, secretários e gestores públicos compreendam onde seu município se posiciona em relação ao ODS 1 e às demais dimensões do desenvolvimento sustentável — e aprendam com as melhores práticas de outras cidades.

Soluções Inteligentes para Desafios Reais

A partir dos resultados do diagnóstico, a Bright Cities orienta os municípios na adoção de soluções do seu marketplace — tecnologias, serviços e metodologias que já provaram resultados em contextos urbanos semelhantes. Para o ODS 1, isso pode incluir desde plataformas de gestão social e sistemas de mapeamento de vulnerabilidades até soluções de conectividade e acesso digital para populações de baixa renda.

O ecossistema Bright Cities conecta administradores públicos, fornecedores de soluções e cidadãos em torno de um objetivo comum: cidades mais justas, eficientes e sustentáveis.


Conclusão: Os Municípios Podem Acelerar a Agenda 2030 — Com as Ferramentas Certas

2030 está logo ali. Quatro anos podem parecer muito, mas a história mostra que transformações estruturais — como a redução sustentada da pobreza — exigem planejamento, continuidade e monitoramento rigoroso.

O Brasil tem demonstrado que é possível avançar: a retirada de quase 9 milhões de pessoas da pobreza em apenas um ano (2023–2024) é prova de que políticas públicas bem desenhadas e financiadas produzem resultados. Mas os desafios que permanecem — a persistência da desigualdade racial, a vulnerabilidade da infância, o peso da pobreza nas regiões Norte e Nordeste, a exclusão digital — exigem respostas mais precisas e localizadas.

É aqui que prefeitos, secretários e equipes técnicas municipais têm um papel insubstituível. As cidades que chegarem a 2030 mais perto das metas do ODS 1 serão aquelas que, hoje, investirem em conhecer profundamente seu território, monitorar seus indicadores com regularidade, adotar tecnologias que ampliem o alcance dos serviços públicos e agir com base em evidências — não em intuições.

A Agenda 2030 não é apenas um compromisso diplomático assinado em Nova York em 2015. É um projeto de futuro que se constrói, bairro a bairro, família a família, dado a dado, nas prefeituras e secretarias de todo o Brasil. E o ODS 1 — erradicar a pobreza em todas as suas formas — não é apenas o primeiro objetivo da lista. É o alicerce sobre o qual todos os outros se sustentam.

O momento de agir é agora. As ferramentas existem. O que falta, em muitos casos, é a decisão de usá-las.


Quer saber como a Bright Cities pode apoiar seu município no monitoramento dos ODS e na aceleração da Agenda 2030? Solicite uma demonstração da plataforma.


Reescrito do blog ODS 01: Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 1 – Erradicação da Pobreza – Blog Bright Cities

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