Certificações para cidades inteligentes já são realidade no Brasil

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Cidades como Brasília já buscam certificação das normas técnicas, desenvolvidas por Comissão de Estudo Especial da ABNT

Normas técnicas são hoje elementos imprescindíveis para a organização coesa de empresas, serviços, instituições e, porque não, de cidades. Fundamentais para definir conceitos e estabelecer critérios padronizados, consistentes e comparáveis entre si, as normas são nossa garantia para criarmos políticas mais habitáveis, tolerantes, eficientes e seguras para todos.

É surpreendente perceber, portanto, que até recentemente o Brasil não contava com certificações específicas para smart cities. O cenário de atraso tem sido revertido com a criação da Comissão de Estudo Especial de Cidades e Comunidades Sustentáveis (ABNT/CEE-268), grupo de estudo responsável pela elaboração das primeiras normas técnicas brasileiras específicas para cidades sustentáveis, resilientes e inteligentes. Criada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e Coordenada pelo professor Alex Abiko, do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli), a iniciativa conta ainda com a contribuição de instituições como o Sindicato da Habitação (Secovi-SP), o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) e a própria Bright Cities.

Especialistas são unânimes em apontar a relevância das normas técnicas devido ao seu caráter transformador: além de fornecerem informações valiosas para desmistificar o conceito de cidades inteligentes no país, também incentivam a adoção de tecnologias inovadoras, capazes de melhorar a eficiência da gestão pública e a qualidade de vida dos cidadãos nas cidades brasileiras. Mais ainda, oferecem maior eficácia para a governança e os serviços ofertados, consolidam metas e parâmetros internacionais de comparação e troca de experiências entre as cidades, aumentam a transparência das informações e atraem novos investimentos devido à credibilidade e abrangência dos indicadores estabelecidos.

“A utilização das normas auxiliará os gestores municipais, políticos, pesquisadores, empresários, urbanistas, designers, engenheiros civis e outros profissionais a se concentrarem em questões-chave, além de pôr em prática políticas mais habitáveis, tolerantes, sustentáveis, resilientes, economicamente atraentes e prósperas para as cidades”, explica Iara Negreiros, doutora em Engenharia e Planejamento Urbanos pela Poli USP e secretária da Comissão de Estudos Especiais de Cidades e Comunidades Sustentáveis da ABNT.

Apesar de não serem de uso obrigatório, Brasília já tem liderado o interesse pelas normatizações no país com seus planos para receber, até ano que vem, a certificação ISO 37120 – “Cidades e comunidades sustentáveis – Indicadores para serviços urbanos e qualidade de vida” , voltada à sistemas urbanos inteligentes. No final de novembro de 2019 a cidade sediou a primeira edição do Fórum Nacional para Certificação de Cidades Inteligentes, realizado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico do DF (Codese-DF). Com a presença de representantes do governo federal, prefeitos, acadêmicos e empresas nacionais, o evento discutiu as estratégias urbanas empregadas pela capital para elaborar seu plano diretor para smart cities. Entre as políticas adotadas está o portal Brasília em Dados, desenvolvido pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) para fornecer dados e indicadores necessários para o estudo e implementação da norma técnica.

Se for bem sucedida em sua campanha, Brasília será a primeira cidade brasileira a conseguir a certificação, juntando-se a destinos internacionais como Barcelona (Espanha), Bogotá (Colômbia), Dubai (Emirados Árabes), Londres (Reino Unido) e Boston (Estados Unidos). Espera-se que a iniciativa brasiliense abre caminho para que outros municípios no país também embarquem na iniciativa.

“Precisamos desmistificar o conceito de cidades inteligentes, e por isso a Bright Cities está empenhada em participar das discussões sobre como implantar a norma e auxiliar na sua versão em português, que tem recebido contribuições de especialistas de todo o país”, afirma Raquel Cardamone, CEO da Bright Cities.

Referência em smart cities, a Bright Cities já tem colocado o país no mapa de cidades inteligentes ao formar parcerias com cidades como Aracaju (SE) e Juazeiro do Norte (CE), vencedora do Prêmio Smart City Day 2019 concedido pela SPin Soluções Públicas Inteligentes. Além de ministrar um curso de extensão sobre o assunto na Universidade de Campinas – Unicamp, marcou presença em eventos como o Smart City Expo World Congress 2019, em Barcelona, onde apresentou a pioneira ferramenta de diagnósticos Leading Cities Rating powered by Bright Cities feita em parceria com a organização norte-americana Leading Cities.

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