Emissões de CO2 afetam o consumo de alimentos mundialmente

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Do arroz à vegetais conhecidos, os poluidores atmosféricos reduzem os níveis de vitaminas e outros nutrientes benéficos

Muito é dito sobre os perigos incontornáveis das cada vezes mais altas emissões de gases poluentes na atmosfera, caso do muito comentando dióxido de carbono, o CO2. O que poucos sabem, porém, é que além de contribuem para o efeito estufa, tais substâncias também reduzem os níveis de vitaminas e outros nutrientes benéficos em nossos alimentos, entre eles grãos e plantas comestíveis.

Um estudo realizado na Harvard T.H. Chan School of Public Health1 quantificou tamanho impacto e revelou que, ao serem atingidos os níveis de dióxido de carbono esperados até 2050, o arroz cultivado deverá sofrer uma perda de um sexto a quase um terço do seu conteúdo de vitamina B. Globalmente, o grão é o alimento básico mais importante da humanidade, consumido por meio bilhão de pessoas e com colheitas que podem fornecer mais de 50% de suas calorias diárias. Além do arroz, a pesquisa também apontou declínios no teor de proteínas, ferro e zinco em alimentos como trigo, cevada, legumes, milho e batata – todos importantes alimentos básicos para 148 milhões de pessoas.

Outro estudo publicado na GeoHealth enfoca o impacto do CO2 no ácido fólico das vitaminas B, riboflavina e tiamina. Enquanto deficiências maternas do folato podem levar a defeitos do tubo neural em fetos, bem como fraqueza e perda de apetite em adultos, baixos índices de tiamina levam à beribéri e deficiências de riboflavina podem causar lesões na pele e distúrbios nervosos, incluindo enxaquecas. Usando uma estrutura que lhes permite estimar o impacto dessas mudanças na carga global de doenças, os pesquisadores estimam que 132 milhões de pessoas adicionais sofreriam deficiência de folato com base apenas no consumo de arroz, 67 milhões de pessoas adicionais ficarão deficientes em tiamina e mais 40 milhões de pessoas ficarão deficientes em riboflavina.

Esses números quase certamente subestimam o real impacto das emissões poluentes. Como escrevem Myers e seu co-autor, Matthew R. Smith, autores da pesquisa em Harvard: “Como é provável que concentrações elevadas de CO2 reduzam as vitaminas B de outras culturas além do arroz, as descobertas provavelmente representam uma subestimação do impacto das emissões antropogênicas de gases poluentes e CO2 na insuficiência de ingestão de vitaminas B” É importante também ressaltar que o estudo não chegou a quantificar a carga global de doenças que podem ser desencadeadas por deficiências em outros nutrientes afetados pelo aumento do CO2, implicando que os impactos devem ser ainda maiores do que os esperados.

Os declínios nutricionais induzidos por CO2 são uma descoberta importante para que tenhamos soluções alternativas focadas na luta a desnutrição. Mais ainda, reforçam a urgência em serem discutidas políticas urbanas que combatam as causas efeito estufa. Entre os indicadores utilizados pela Bright Cities está o de gases poluentes emitidos na atmosfera. A partir desse índice podemos avaliar se uma cidade diagnosticada por nossa plataforma cumpre ou não com políticas voltadas ao meio ambiente, e de que maneira ela pode adotar soluções para se tornar mais sustentável e benéfica ao planeta.


  1. As Atmospheric Carbon Dioxide Rises, Nutrient Content of Rice Falls, Harvard Magazine, September, 2019.

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