Smart City Session aponta os caminhos para a transformação inteligente das cidades no pós-pandemia

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Edição digital do Smart City Expo Curitiba encerra programação com foco em resiliência do espaço urbano, felicidade e bem-estar, governança e economia

Em tempos de pandemia, o maior evento brasileiro sobre cidades inteligentes também teve de se reinventar e apresentou de maneira 100% digital entre os dias 8 e 9 de dezembro de 2020 as iniciativas que despontaram com o surgimento da Covid-19 e têm transformado pequenas, médias e grandes comunidades em lugares mais inteligentes, sustentáveis e resilientes para se viver.  

Com um olhar centrado no ser humano e organizado em quatro principais trilhas de conhecimento, o Smart City Session, que aquece os motores para a terceira edição do Smart City Expo Curitiba 2021, reuniu profissionais do Brasil e do mundo para discutirem sobre temas como governança e economia, resiliência do espaço urbano e felicidade e bem-estar nas cidades.   

Marcando a abertura do evento, Rogério Marinho, responsável pelo Ministério do Desenvolvimento Regional, Marcos Pontes, ministro da Ciência e Tecnologia, Vitor Menezes, secretário executivo do Ministério das Comunicações e Heiko Thomas, embaixador da Alemanha no Brasil, assinaram e lançaram oficialmente a Carta Brasileira de Cidades Inteligentes, desenvolvida com a participação da Bright Cities e de mais de 200 contribuintes de múltiplos setores e áreas do conhecimento. 

Com a publicação, as cidades brasileiras agora têm um norte importante para avançar em políticas urbanas mais sustentáveis, eficientes e tecnológicas, tendo como base oito objetivos estratégicos baseados no contexto brasileiro da transformação digital das cidades, entre eles a integração da transformação digital nas políticas, programas e ações de desenvolvimento urbano sustentável; o estabelecimento de sistemas transparentes, seguros e privativos de governança de dados e de tecnologias; e a adoção de modelos inovadores e inclusivos de governança urbana. Em desenvolvimento desde março de 2019, a carta é uma iniciativa filiada à Política Nacional de Desenvolvimento Urbano (PNDU) e coordenada pela da Secretaria Nacional de Mobilidade e Desenvolvimento Regional e Urbano (SMDRU). 

Os legados da pandemia

No primeiro dia de evento, os keynotes Renato de Castro, CEO da SmartUp e especialista em cidades inteligentes, e Ricky Ribeiro, fundador do portal Mobilize Brasil, contaram sobre os legados que a pandemia deixou às cidades em termos de mobilidade e de melhoria da qualidade de vida da população. Para Castro, três grandes aprendizados vieram para ficar com a Covid-19: o processo de empoderamento de médios e pequenos municípios na busca da autossustentabilidade; a contínua adoção de tecnologias que melhoram o dia a dia dos cidadãos; e o foco cada vez maior na adoção de políticas públicas locais, a fim de descentralizar grandes centros urbanos e aplicar planejamentos mais policêntricos nas cidades. 

Na visão de Ribeiro, o período pré-pandemia já evidenciava problemas sistêmicos na mobilidade urbana, e agora é a chance de investir em ações e tecnologias que melhorem o ir e vir dentro das cidades e reduzam os impactos humanos no meio ambiente. “Podemos imaginar as margens do Rio Tietê e Pinheiros em São Paulo, convertidos em grandes passeios públicos e restaurantes, parques, praças, com deques de acesso às águas despoluídas, que por sua vez transportam barcos de passageiros e cargas. Com dezenas de pessoas de origens diversas circulando e convivendo com qualidade de vida”, prevê o especialista.

Felicidade e bem-estar em foco

Qualidade de vida, felicidade e bem-estar são conceitos que caminham lado a lado na construção de cidades inteligentes e felizes. Este foi um dos pilares do segundo dia do Smart City Session, que contou com palestras de arquitetos e urbanistas especialistas no tema, como Ariadne Daher, Gustavo Arns e Guilherme Takeda, idealizador e organizador do Congresso Internacional de Felicidade, respectivamente, e Jonny Stica, assessor de mercado da Fomento Paraná. 

“A pandemia deu ainda mais importância para o tema felicidade e quando falamos em cidades felizes falamos de ações de macro e micro influência. Pode ser desde investimentos em capital social ou simplesmente reparos de uma praça”, comentou Stica no talk “Happy Cities: o papel das smart cities na felicidade e bem-estar dos cidadãos”. Na visão de Arns, a felicidade é estruturada multidisciplinarmente, como uma somatória de fatores que levam em conta culturas e visões diferentes sobre o que é ser feliz. Para Takeda, o conceito de arquitetura humana é um dos caminhos para a felicidade, e o foco deve ser construir cidades para as pessoas, opinião compartilhada pela arquiteta e urbanista Ariadne. 

O poder dos dados e da tecnologia

Cidades inteligentes não são apenas cidades digitalizadas e tecnológicas, mas sim cidades centradas no bem-estar do ser humano. Neste contexto, a tecnologia se mostra como uma impulsionadora importante de ações e iniciativas que melhoram a qualidade de vida da população nos grandes centros urbanos. Não à toa, os dados, aliados ao avanço tecnológico, têm transformado a maneira como os estados lidam com os principais entraves de políticas públicas urbanas.

Foi sobre o tema que Raquel Cardamone, CEO da Bright Cities, Marcia Beatriz Cavalcante, Open Innovation Leader da Celepar, e Regiane Relva Romano, conselheira do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, falaram durante o painel “A cidade dos dados: análise de dados para a Governança 4.0”, mediado por André Guedes, CEO da RODA Consultoria e Treinamentos. Durante a sessão, as especialistas falaram sobre as iniciativas em âmbito federal, estadual e municipal que têm usado os dados de maneira inteligente para melhorar a qualidade de vida e o acesso a serviços e infraestruturas públicas.

A terceira edição do Smart City Expo Curitiba, adiada em 2020 por conta da pandemia, acontece no segundo semestre de 2021, ainda sem data definida.

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